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Pesquisa histórica da zona:
Desde os seus primórdios e habitada por diversos povos, a zona hoje pertencente à Freguesia do Laranjeiro era conhecida sobretudo como um lugar de passagem desde Almada e Cacilhas, quer pelo que é hoje a E N 10 quer através da estrada que passa pelas Barrocas. A actual Freguesia do Laranjeiro faz parte de uma área geográfica muito histórica, comprovado pela existência de diversas jazidas, tal como pelos vestígios de povos que a habitaram no passado, como os Celtas, Romanos e Árabes. Com a fundação de Portugal, toda a área circundante de Almada, que se estende do Caramujo à Foz do Rio Judeu era propriedade da Ordem Militar de Santiago, através da doação de D. Sancho I, em 1186. Parte dela era conhecida localmente como Paço do Alfeite, uma quinta real árabe. Além da Cidade de Almada e de Corroios, da altura da fundação da nacionalidade, nada consta de significativo que permita concluir da existência de qualquer povoado importante nesta zona. A persistência de população desta zona durante toda a Idade Média foi caracterizada por grande actividade rural: cereais, frutos, olivais e vinhas. Toda esta zona voltou à posse da coroa portuguesa com D. Dinis, em 1298. Desde então, esta zona passou a pertencer ao dote das rainhas e D. Leonor Teles vendeu-a ao judeu David Negro. Com a conquista da independência, D. João I inclui-a na doação que fez a D. Nuno Álvares Pereira, que por sua vez o doou à Ordem do Carmo, ficando aos poucos alienado em fracções. A partir de 1654, D. João IV criou a Casa do Infantado e doou-a ao Infante D. Pedro, que começou através da confiscação da fracção que pertencia ao Duque Caminha e de outras pertencentes à nobreza. Até 1834, data da extinção da referida casa, vários reis foram adquirindo diversas fracções, concentrando-as no referido património. Depois disso, o Paço do Alfeite (que recuperou o seu nome, após a extinção da Casa do Infantado) começou a ser novamente dividido em inúmeras terras e fracções, sendo algumas delas vendidas ou arrendadas, no que hoje são os Concelhos de Almada e do Seixal. Algumas dessas fracções foram vendidas a nobres, como D. Leonor de Almeida Lorena e Lencastre (4ª Marquesa de Alorna e 7ª Condessa de Assumar). Destas fracções resultaram, mais tarde, quintas e albergarias. Ainda hoje, algumas zonas da freguesia são geograficamente conhecidas pelo nome de proprietários ou arrendatários de antigas quinta, como o lugar do “Rato” topónimo que provém do nome de Francisco Rato, que explorava uma das quintas existentes. Até mesmo a designação “Laranjeiro”, que se começou a usar na primitiva povoação de agricultores é resultante do nome do seu proprietário José Rodrigues, o “laranjeiro”, foreiro à Albergaria de S. Lázaro. Assim, o Laranjeiro era constituído por um vasto espaço rural, fragmentado em diversas quintas de que são exemplo as de Santo Amaro, do Laranjeiro, das Álamos, do Rato, de S. Luís, de Santo António, dos Castanheiros e a do Janeiro, entre outras. Estas quintas eram fracamente povoadas até aos quarenta do passado século, quando a povoação acompanha a expansão urbanística e demográfica de Almada e da Cova da piedade, movimento que se acentua, claramente, nos anos sessenta até hoje. O Laranjeiro foi elevado a freguesia em 4 de Outubro de 1985, em consequência da aprovação, por parte da Assembleia da República através do Decreto-Lei 126/85, de 4 de Outubro.
O passado recente:
No final da década de cinquenta (do século passado), iniciaram-se as infra-estruturas que visavam um projecto camarário, relacionado com o alojamento de pessoas que procuravam trabalho e outras condições de vida no Concelho de Almada ou na área metropolitana de Lisboa. Com o “aparecimento” de um espaço arquitectónico e urbano, surge – naturalmente – uma escola. Os alunos com idade para frequentar o ensino primário passaram a ter na zona uma escola onde pudessem iniciar ou continuar a escolaridade obrigatória. A escola em referência é a Escola Básica Laranjeiro nº 3, que teve os primeiros alunos no final da década de oitenta, do século passado. Algumas indústrias estavam instaladas ainda na área e muitos dos filhos dos que nelas trabalhavam, eram alunos da escola. A população escolar crescia com naturalidade, embora houvesse limitações económicas, físicas e sociais.
O presente:
No início do Século XXI, eis o parque escolar da Escola Básica Laranjeiro nº 3, que está integrado numa zona habitacional, conhecida como a “Quinta do Janeiro”, nome como ainda hoje é conhecida esta zona da Freguesia do Laranjeiro, visto que, no passado, a actual Freguesia era composta por um vasto espaço rural, fragmentado em diversas quintas, como descrito anteriormente. A localização do edifício escolar é muito acessível, embora a sua dimensão comece a não ficar apropriada, ou até um pouco desenquadrada, face às actuais necessidades da comunidade escolar. Sendo uma referência, para a população descendente da antiga Quinta do Janeiro ou para outros que se estão agora a envolver e a associar à comunidade escolar, espera-se que a Escola Básica Laranjeiro nº 3 surja virada para futuro.
As perspectivas futuras:
Sem ignorar o seu passado recente, o presente e as características da actual comunidade escolar, leva-nos pelas forças circunstanciais a pensar no futuro. Jean Marie Barbier, numa das suas obras, escreveu que “um projecto não é uma simples representação do futuro, mas um futuro para fazer, um futuro a construir, uma ideia a transformar em acto”. E é com este espírito construtivo que o corpo docente e não docente da Escola Básica Laranjeiro nº 3 pretende enquadrar-se em todas as transformações descritas, envolvendo os níveis habitacional, sócio-cultural, como também educativo. É necessário fazer e construir o futuro, tendo como pensamento que todos os alunos, matriculados na escola, são construções sociais, cuja vida exige não só que nelas se estabeleçam novas relações e um processo de aprendizagem que lhes sejam favoráveis, mas também que aprendam a desenvolver novas capacidades cognitivas e relacionais, dentro de um novo espírito e de uma cultura organizacional de escola, mais participativa, consciente, reflexiva, multi e intercultural. Acreditar nas capacidades reais existentes na população escolar, dando-lhe a verdadeira importância que tem, valorizando as suas capacidades, aprendendo também com ela, partilhando experiências e saberes e respeitando-a, pode futuramente trazer benefícios no processo de ensino-aprendizagem. |
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